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Mais uma modalidade da traição globalizada foi lançada na segunda-feira
(11) no Brasil. O site Ohhtel, que tem sua base nos EUA, começou a
oferecer seus serviços com.br.
Apesar do nome, é só um espaço virtual. Os encontros físicos são por
conta e risco dos usuários -gente interessada em pular a cerca sem
chamuscar o casamento.
A promessa é achar amantes discretos para clientes cadastrados. A
justificativa sociológica é que a aventura é alternativa ao divórcio,
desde que o outro não descubra. Teoricamente, o serviço é seguro. Mas,
como diz Laís Ranna, vice-presidente do site no Brasil, "garantias são
sempre muito vagas na internet".
Formada em artes cênicas, a paranaense Ranna, 31, conta que antes do
Ohhtel trabalhou em uma rede social que ajuda mulheres a encontrar
homens ricos. Uma coisa levou a outra.
A executiva veio ao Brasil para lançar o site, mas deu esta entrevista à
Folha por telefone, quando estava na Califórnia, onde vive com o marido
francês.
Folha - Por que escolher o Brasil para um site de traição? Lais Ranna - Em 2010, o site americano recebeu 3.000 e-mails do
Brasil perguntando quando seria lançado no país. A empresa pesquisou e
descobriu que tem 15 milhões de brasileiros vivendo em casamento sem
sexo.
Como chegaram ao número?Foram feitas entrevistas por telefone com 2.500 pessoas casadas, e 19,2%
tinham menos de uma relação sexual por mês. Transferimos a porcentagem
para o total de pessoas casadas ou em união estável, segundo o Censo, e
chegamos a 15 milhões.
De quem é a pesquisa?É interna, não divulgamos quem fez. O objetivo foi fazer uma projeção do negócio.
Quanto a empresa fatura?Não posso dizer. A empresa só tem dois anos e já conta com milhões de dólares.
Infidelidade é bom negócio?É. Se não fosse, a gente não estaria se expandindo.
E para o usuário?É uma opção ao divórcio. Se a pessoa está em um casamento de longo prazo
e o parceiro perdeu o interesse sexual, ela tem três escolhas:
continuar casada numa vida de castidade; um divórcio, dividindo filhos,
bens etc. ou procurar sexo em outro lugar. É aí que a gente entra,
oferecendo uma maneira mais discreta e segura.
Por que é mais segura?Ninguém tem acesso às informações pessoais. Quem entra tem que concordar com termos de condições do site.
O que garante que vão cumprir esses termos?Quando se trata de internet as garantias são sempre muito vagas. Mas a
pessoa tem opção de colocar sua foto de forma privada, só vê quem tiver
sua permissão. E o nome do site não aparece na fatura do cartão. Temos a
opção de pagar em dinheiro, não deixa rastro. E a pessoa não precisa
colocar o seu nome para se inscrever.
Tem que por idade e sexo,
basicamente isso. A gente propõe que a pessoa use um apelido e aconselha
a não usar e-mail pessoal, mas criar um e-mail só para isso.
A empresa faz alguma seleção antes de aceitar o cadastro?Mulheres se cadastram gratuitamente, homens têm que pagar uma taxa. Não
podem entrar em contato com as mulheres se não tiverem esse engajamento
pessoal.
Engajamento pessoal?É. Essa tarifinha inicial [R$ 60]. Para mulheres é 100% grátis. Isso
porque elas precisam de vínculo afetivo e podem construir isso no site.
Mas o texto de divulgação do seu site diz que o seu diferencial é
exatamente reunir pessoas que querem ter casos sem criar vínculos.O que queremos dizer com isso é não criar vínculo com pessoas que estão no mesmo meio social.
Por que os interessados em se cadastrar confiariam no site?O nosso slogan é ser uma empresa segura. A ética de nossa equipe é muito grande.
Quais os valores éticos do site?Nosso ponto principal é a fidelidade...
O quê?Quer dizer, a privacidade.
Você é capaz de trair?Eu trairia meu marido para continuar casada com ele.
Seu marido te perdoaria?Eu conto com isso.